terça-feira, 1 de setembro de 2009

História sem fim... parte 1.

Para ele, L. Dantas
Fiquei assim... normal, sem nenhuma reação surreal ou de amor a primeira vista. Quando vi ele pela primeira vez, foi por uma foto, ele estava sentado com os óculos olhando para o infinito ou talvez contemplando algo que não aparece naquele pequeno quadrado que é uma foto. Ele nem me chamou muita atenção até o dia em que ele disse: “Estou me sentindo uma verdadeira piada de mau gosto!”, como num impulso respondi para ele: “O mundo é feito sim de piadas de mau gosto e de bom gosto, eu tento ser uma piada de bom gosto mas nem sempre consigo, então acho que você nem deve ser uma piada de mau gosto”. A partir daquele dia, a partir daquela resposta começamos a conversar quase que timidamente, mas conversávamos sobre livros, contos, autores, música, filmes, comidas, cores e seres humanos. Fomos nos descobrindo dois verdadeiros corações cansados de sofrer, tímidos e reprimidos pelas decepções e machucados que vinham sofrendo. Ele de câncer eu de capricórnio eu ascendente dele, segundo o horóscopo uma dupla que se completa, eles se completavam, como amigos eram bons conselheiros, mas essa amizade que completava foi crescendo e crescendo e crescendo até não caber mais no coração de um deles. Ele que já não cabia mais em si próprio de tanto amor e admiração pelo outro que ainda se guardava atrás de muros altos, com medo de se machucar novamente. Mas ambos sabiam que aos poucos iriam se conquistando pela alma e não apenas pela carne.
Um dia ele consegui escalar o muro que impedia ele de chegar até o coração do outro, quando ele chegou lá em cima disse que já não sentia mais amizade e sim amor e se jogou, fechou os olhos e se jogou de corpo e alma no amor...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

... eu quero brincar de esconde - esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho e massagear seu pescoço e beijar seu rosto, segurar sua mão e sair pra andar, não ligar quando você comer minha comida, te encontrar numa lanchonete pra falar sobre o dia, falar sobre o seu dia e rir. Ver filmes ótimos, ver filmes horríveis e te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior, te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Sentar na escada fumando, até você chegar em casa e me preocupar quando você está atrasado e me surpreender quando você chega cedo e te dar girassóis. Me arrepender quando estou errado e feliz quando você me perdoa. Olhar tuas fotos e querer ter te conhecido desde sempre, te abraçar quando você estiver aflito e te apoiar quando você estiver magoado. Me derreter quanto você sorri, me desarmar quando você ri. Ando pela cidade, pensando... é vazio sem você, mas quero o que você quiser e penso... estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim, e tentar dar o melhor de mim, porque você merece nada menos que isso e dizer a verdade mesmo que eu não queira e tentar ser honesto. Deixa eu tentar chegar mais perto de você e de alguma forma... de alguma forma, compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito... amor que eu tenho por você.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fuck You (Lily Allen) tradução

Olhe dentro
Olhe dentro da sua mente pequena
Depois olhe mais atentamente
Porque ficamos tão desanimados
Tão enjoados e cansados
De todo ódio que você guarda
Então você diz
Que não é normal ser gay
Eu acho que você é malvado
Você é apenas um rascista que
Sequer serve para amarrar meus cadarços
Seu ponto de vista é medieval
Foda-se foda-se muito, muito mesmo
Porque odiamos o que você faz
E odiamos toda sua turma
Por favor, não se aproxime
Foda-se foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não conduzem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime
Você se sente
Você se sente um pocuo rejeitado
Tento uma mente pequena?
Você quer ser como seu pai
É aprovação que você quer
Bem, não é assim que vai encontrá-la
Você
Você realmente curte viver uma vidatão cheia de ódio?
Porque há um buraco onde sua alma deveria estar
Você está perdendo o controle
E é realmente nojento
Foda-se foda-se muito, muito mesmo
Porque odiamos o que você faz
E odiamos toda sua turma
Por favor, não se aproxime
Foda-se foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não condizem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime
Você diz
Você acha que precisamos ir pra guerra
Bem, você já está em uma.
Pois são pessoas como você
Que precisam de uma lição
Ninguém quer sua opinião
Foda-se foda-se muito, muito mesmo
Porque odiamos o que você faz
E odiamos toda sua turma
Por favor, não se aproxime
Foda-se foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não condizem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime
Vá se foder
Vá se foder
Vá se foder
Vá se foder
Vídeo versão americana:
Versão brasileira:
Vídeo Oficial:

segunda-feira, 8 de junho de 2009

“Preciso dizer...”


Ela – (em pé, encostada na janela, olhando para baixo) Eu sei que sentimentos vêm e vão, mas os meus nunca se foram... (continua olhando para baixo agoniada, ansiosa, até que olha para o tapete e vê o vestido da Outra) Ela disse que não vai mais voltar... (caminha lentamente em direção ao tapete) Será que tudo foi um sonho? (se deita ao lado do vestido) Me apaixonei pelas costas dela, a primeira vez que a vi foi no trabalho, eu na minha metódica rotina de trabalho e mais trabalho e você surgiu como se fosse mágica do meu trabalho. No ínicio, éramos apenas amigas, (pega o vestido e dança lentamente com ele) procuro me lembrar todos os dias de quando a gente se conheceu, mas as mesmas lembranças me fazem chorar, pois lembro de quando você foi embora (vestido cai) Sempre achei que não precisava de amizades, pois as minhas amizades sempre me causaram dor, desejo com todas as minhas forças que você tenha sido apenas um devaneio bobo, uma alucinação... Me sinto ridícula, pois você é um amor que foi que deveria ter mudado assim como mudam as estações, mas não você é um amor que me marcou, marcas que ainda doem. É pessoas realmente são feitas de marcas, afinal tudo marca. Lembro-me das vezes que você chegou em casa com uma rosa vermelha para mim. (senta-se de costas para o público e com o abajour entre as pernas e com uma rosa nas mãos) Dia 23 de julho, não me esqueço, nunca me esquecerei dessa data. Foi o dia que você chegou em casa com uma rosa e nós brigamos por ciúmes. Um ciúme bobo, ridículo, infantil,....mas se você voltasse hoje, te daria muitas rosas. Eu mal me reconheço, fico procurando você (olha para as pessoas do público) e a sua perfeição em outras pessoas, outros rostos, outros corpos. Mas não te encontro em uma única pessoa, não te encontro mais em lugar nenhum. Eu começo a ter a profunda certeza de que o amor é ridículo e que seus clichês também são ridículos... Mas me arrependo de não te dizer EU TE AMO todos os dias. Eu ainda me lembro da nossa música... (cantarolando a música Eu Preciso Dizer Que Te Amo).

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Carta Nanda

27/04/2009. 00:41
É mocinha não é fácil ser um garoto sem sombra.
Parece que falta uma parte de mim e infelizmente falta, não sei como cheguei a essa certeza, mas cheguei. Vivo no mundo, meus dias são corridos, pelos meus olhos passam milhares de pessoas, mas quando chego em casa e me deito para descansar, percebo o quão sozinho estou. Na minha cama sobra um espaço, não quero e nem procuro uma pessoa para satisfazer meus desejos sexuais momentâneos. Quero alguém que deite e que converse comigo, que me faça cafuné até que eu pegue no sono, que seja alguém que compreenda e também aceite essa rotina maluca que muda do dia pra noite, que aceite fazer parte dela.
Sempre que penso que é impossível, encontro pessoas que me completam e que me fazem ter sombra por breves instantes. Não tenho vergonha de dizer a estas pessoas que acredito em fadas, que choro, que tomo banho de chuva, que olhos atraem meu olhar e meu interesse, que sou carente, que olho as estrelas, que sou ao menos me acho cult, que sofro por amor, que já amei e que tenho certeza que nunca fui amado, por um amor verdadeiro e essencial.
Já ando tão amortecido para as desilusões, que quando elas chegam até mim, apenas me sinto angustiado e choro. Isso talvez seja pra eu apreender que o sol brilha para todos e não única e exclusivamente para uma pessoa. Ele brilha pra nós Nanda. Mocinha pequena, porém intensa, apaixonante, brilhante;
Poderia ficar horas a escrever sobre você, bem, primeiro me perdoe pelo texto acima, na verdade, me perdoe por esse pedaço de mim em palavras. Segundo, perdoe os erros de português afinal agora são 01:00 da manhã, já não me encontro mais no meu estado normal de consciência e juventude.
É almas inquietas custam a dormir, ainda mais quando sabem que aqui já não é mais o seu lugar.
É mocinha, espero um dia, em algum lugar ter o prazer de sua companhia num café.
Estranho tenho tanto para falar, mas no momento me faltam palavras, nem sempre é fácil traduzir para palavras algo tão intenso e subjetivo. Melhor para por aqui. Como diria uma amiga minha numa carta que recebi um dia, as pessoas caem de para – quedas na minha vida é essa a impressão que eu tenho às vezes. E realmente param a minha queda. Parece besteira, mas gosto de você pequena grande garota. Conte comigo sempre. Já me sinto de certa forma seu amigo, e saiba que os amigos podem se perder de vista ao longo de seus caminhos. Mas nunca perdem a essência do que realmente uma amizade significa.

“Vous vous êtes responsable de tout ce qui captive”

(Exupéry)

D.G.

domingo, 10 de maio de 2009

Uma Passagem


A amizade é uma das coisas mais preciosas

da vida e fica melhor ainda quando vira amor.
(Cazuza e Frejat)





Todo o dia de manhã pegava o ônibus, era janeiro, férias e eu estava livre da faculdade, mas presa o trabalho. O ônibus vinha com poucos passageiros, no primeiro dia útil de janeiro, se não me engano era dia três de janeiro de 1996, fui para o trabalho, embarquei e meus olhos o encontraram, parece clichê, mas foi como amor a primeira vista. Sentei um atrás dele, durante a viajem toda fiquei reparando no seu jeito, a viajem toda fiquei disfarçando, mas era impossível não olhar para ele, ali sentado na janela olhando as paisagens que passavam pela sua janela, por coincidência ele descia um ponto antes do meu.
Fiquei algumas semanas viajando sentada sempre próximo dele. Imaginando a sua voz, seu cheiro, seu jeito; passou janeiro, me lembro até hoje que no primeiro dia de fevereiro acordei decidida, iria me sentar com ele, o ônibus passou no mesmo horário agora já começava a vir com mais passageiros ms para minha sorte naquele dia ninguém havia sentado com ele, respirei fundo e sentei, a partir daquele dia passei a me despedir da minha timidez toda vez que embarcava no ônibus, passei a puxar papo com ele, lembro que nossa primeira conversa relâmpago foi sobre o tempo e o clima de férias, mesmo a gente tendo de trabalhar. Pela primeira vez ouvi seu timbre de voz, era lindo, envolvente suave, mas firme e seu cheiro me trazia uma sensação embriagante, poderia ficar horas viajando ao seu lado, me sentia em outra dimensão.
Nossas conversas nunca foram muito longas e nunca com um sentido. Teve um dia que estava chovendo e ele me falou suas teorias sobre o céu e o mar, o sol e a lua. Quando ele terminou eu estava assumidamente com cara de boba, não pela sua teoria fazer sentido mas sim por ver que ele conseguia ver além das coisas banais, afinal ele admirava a lua, o sol, o céu e o mar. Hoje quando me lembro caio na gargalhada, quando lembro de suas teorias.
Ficamos amigos, confesso que além de amizade tinha algo a mais que sentia por ele, não sei explicar, mas sentia falta quando ele não vinha, ou quando um dos dois perdia o horário, ele passou a se tornar uma droga diária, eu necessitava de suas doses. Fevereiro passou e ele também, não, não esqueci ele, mas no dia 28 de fevereiro de 1996, meu ônibus atrasou, quando embarquei nem me preocupei em perguntar o porque do atraso, procurei por ele e ele não estava, viajei sozinha, quase que em crise de abstinência, passei a viajem inteira agoniada, quando desci perguntei ao motorista o porque do atraso e o motorista me disse com os olhos embargados que o moreno que sentava comigo, todos os dias, havia se atrasado para pegar o ônibus e na pressa de atravessar a rua, foi atropelado por um caminhão. Fiquei sem reação, sem chão; ele se foi e passei a viajar sozinha novamente, sempre sentada no mesmo lugar que sentávamos todos os dias, busca ali naqueles dois bancos, resquícios de uma pessoa que passou a ser necessária pra mim.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ardume.

Acordei péssimo está manhã, feriado, não tenho trabalho nem faculdade. A solidão toma a casa, ela já deixa de ser uma sensação para ser alguém, alguém que me faz falta e nem sei quem é ou talvez saiba, mas tenho medo ou raiva de encarar a verdade. Levantei da cama abri a janela do quarto pra ver se sai esse cheiro típico de casa fechada, sindo um ardor no peito, como se algo estivesse queimando, como se no lugar de coração, ou pulmão, ou até mesmo de garganta eu tivesse um pedaço de brasa, aquela brasa de fogão a lenha que está no auge do seu calor, no seu calor máximo. Arde, queima, no lugar do meu amado café com leite tomei um copo de água gelada pra ver se dava jeito de eliminar esse ardor, esperei, esperei e nada. Porra nenhuma que água gelada ajuda a aliviar ardor.
Essa sensação só tenho quando bebo na noite anterior, mas dessa vez eu não bebi, eu juro. Não tô de ressaca, talvez esteja, de ressaca desse porre que a minha vida neste estado presente. Se minha vida se resumisse a uma garrafa de cachaça garanto que beberia tudo e mais um pouco se houvesse, talvez assim cairia em uma sarjeta qualquer e perderia a memória e poderia começar tudo de novo.
Merda! Esse ardor não passa, já sei. Parei de frente pra geladeira abri a porta puxei uma das cadeiras para frente dela e sentei o mais próximo possível, será que esse frio gélido resolve. Sentei, esperei, esperei e nessa minha saga de apagar essa brasa observei o que minha geladeira guardava, fazia tempo que não abria ele, afinal sou mais turista do que morador da minha própria casa e além disso não ando mais sentindo fome, estranho, adoro comer, mas hoje a fome já me faz falta, alias nem falta meu estômago nem meu corpo pedem por comida. Reparei que minha geladeira é mais saudavél e limpa do que eu. É sinto meu paito arder em brasa e me sinto sujo, tomei banho antes de dormir, mas mesmo assim neste momento me sinto sujo, será que me sujei durante a noite, que vergonha com essa idade ainda fazendo xixi na cama. Não mas não foi isso, estou seco e não sinto cheiro de mijo. Apenas tenho a sensação de estar sujo e queimando. Será que é assim que as mulheres que foram queimadas na fogueira se sentiam enquanto queimavam? Sentiam o calor que lhes tomava o corpo e se sentiam sujas; enfim, melhor pensar em mim no que nas mulheres que morereiram queimadas, afinal, que Deus as tenha.
Meu corpo já reage ao frio, mas meu peito continua ardendo, estou tendo tremores sinto meus dedos do pé e das mãos mais gelados que de costume. E o ardor continua, não estou doente, não estou com gripe, nem com dor de garganta, meu pulmão está perfeito, meu coração é um verdadeiro motor, então dá onde vem esse ardor, coisas que não sabemos explicar apenas sentir. Já que não tenho nada pra fazer, afinal é feriado, ficarei sentado aqui até que esse ardor passe ou então até que meu corpo aguente o frio gélido que vem dá geladeira saudavél. Mas tenho medo do que pode sair aqui de dentro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Feriado de páscoa, quinta – feira santa, estávamos eu e ela no apartamento, família toda reunida, momento de relembrarmos um passado distante e discutirmos um futuro não muito distante. Estávamos nos sentindo presos, vendo a lua cheia da sacada, até que decidimos ir a beira mar, pois a lua nos convidava a encontrá-la, descemos, caminhamos menos do que imaginávamos, atravessamos a avenida chegamos ao calçadão, paramos, olhamos a lua e seu reflexo no mar, tiramos nossos chinelos, nos demos às mãos e caminhamos juntos pela areia, nos sentamos e observamos o quão majestosa estava a lua, conversamos sobre a vida, sobre as pessoas que aparecem nos nossos caminhos, até que a lua nos chamou, paramos e ficamos estáticos, ela chamou mais uma vez e nos convidou para brincar.
Nos entregamos a sua brincadeira, rimos como verdadeiras crianças que nunca deixamos de ser, até que tivemos a idéia de molhar nossos pés nas águas geladas do mar. Incentivados pela lua caminhamos mar adentro, ficamos com água até o tornozelo, mas o que não sabíamos é que tinha mais gente querendo brincar conosco. A lua com seu encanto convidou para brincar Mãe Iemanjá, que nos mandou um onde que nos molhou até a cintura, ao invés de ficarmos bravos, rimos e nos sentimos privilegiados com a presença dela, pois sabemos que ela veio lavar nossos caminhos para que pudéssemos caminhar tranqüilos pela vida. Ainda mais agora banhados com a sua benção. Odoyá Mãe Iemanjá.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

nós

eu sou nós.
não nós de nós mais nós de nós...
tipo:duas pessoas não duas cordas cheias de nós.
Não que as cordas estejam cheias de nós mas elas estão cheias de nós...
mas de nós nós não de nós de nós entende?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tá vou deitar, são nove horas da noite, mas vou deitar. O dia hoje foi longo, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Minha vida anda mais bagunçada que minha mesa de trabalho e olha que eu me acho bem no meio da minha bagunça.
Saco! O que adianta deitar agora se sei que o sono vai demorar em vir, a insônia ou a falta dela anda me perseguindo, ando zanzando pelos meus pensamentos na hora de dormir, penso na minha vida “adulta” e miserável, deixei pra trás muitas coisas e não me conformo, nunca fui bom em me conformar com as coisas. Talvez esse seja um dos meus defeitos, não o fato de não me conformar, mas o fato de não exteriorizar esse inconformismo, essa coisa que me sufoca o peito, que me irrita, que me da vontade de chorar, gritar, bater, correr, fugir; E também to de saco cheio dessa vida “adulta”, gostava bem mais de quando tinha nove anos e ia na terceira série, sério, vai parecer ridículo mas tenho inveja da minha sobrinha de nove anos. Tá, patético, mas é a realidade, ela vive, ela vai pra escola, tem horas livres pra brincar e fazer aula do que quiser, ela não precisa se preocupar em trabalhar, em pagar contas, em ser censurada... Ela apenas vive o dia, vive cada dia como se fosse o primeiro e o último. Ela se permite sentir, experimentar, descobrir e principalmente redescobrir.
Será que se eu voltar pra cama agora fechar os olhos bem forte e pedir, imaginar, rezar, eu consigo voltar a ter nove anos? Consigo voltar e ficar ali, viver nessa idade?
Dói tanto ser adulto, dói tanto ter que descobrir as coisas por acaso. Se algum adulto disser que não dói ele está mentindo ou tem alguma doença psicológica. Por mais que eu tente levar meus dias da melhor forma possível, sempre com um sorriso no rosto, sendo sempre otimista e não tão realista, cansa e dói.
Aí! Minha cabeça dói de pensar a vida tanto, de pensar num passado distante quanto de imaginar um futuro não muito distante ou simplesmente encarar meus dias presentes. Resolvi, vou tomar uns três comprimidos com uma xícara de chocolate quente e vou deitar e olhar para o teto esperando que de lá venha o sono que tanto espero há dias, bem que ele poderia vir por livre e espontânea vontade, ando sentindo falta dos comprimidos que me deixam bem. Última decisão de um dia sem fim, vou procurar um psicanalista, vou buscar a infância que me faltou, vou tentar ver apenas o necessário desse presente e vou fingir que meu futuro é uma lousa negra onde posso fazer dele o que bem entender.
Pronto agora só olhar para o teto e esperar ele chegar.